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DESIGN E OUTROS DESVARIOS

THERE ARE 360º, SO WHY STICK TO ONE? - ZAHA HADID

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07
Nov18

Yayoi Kusama, o nosso próprio espelho

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Este ano foi lançado o filme sobre a artista japonesa Yayoi Kusama, Kusama: Infinity. Ela é conhecida essencialmente pelo seu padrão de bolinhas, aliás, frequentemente é referida como a princesa das bolinhas, e talvez um dos momentos de maior atenção do grande público sobre o seu trabalho tenha sido com a concept store da Louis Vuitton em Nova Iorque, assinalando a colaboração da artista numa das suas coleções. Neste momento com 89 anos, é uma das artistas mais credenciadas, e uma referência na arte contemporânea Japonesa, mas nem sempre foi assim. Aliás, o seu percurso é bastante dramático, e a sua arte é a canalização de todos os seus traumas e episódios negativos que contam, entre eles, com tentativas de suicídio. O seu percurso é um exemplo incrível de transmutação: de tanta negatividade, surge tanta beleza!

 

 

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Fonte

 

Desde criança que Yayoi queria ser pintora, mas a sua família conservadora tinha planos bem distintos para a artista: um casamento arranjado e a lida da casa. As suas tentativas de criação eram frequentemente destruídas pela mãe, que lhe arrancava os trabalhos ainda antes de concluídos e a obrigava, em vez disso, a espiar o próprio pai com as suas amantes. Condicionada, impedida de se dedicar aquilo que realmente a realizava, e traumatizada com a sexualidade devido a tudo o que vira, neste momento da vida desejava escapar à sua realidade. Decidira então escrever à pintora Georgia O’Keefe que tanto admirava e da qual obteve resposta: apesar da difícil vida de artista em Nova Iorque, foi aconselhada a mudar-se para lá. E assim o fez, com o interior do seu kimono revestido a notas de dólar e com poucos conhecimentos da língua inglesa. 

 

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Fonte

 

A vida nunca lhe foi fácil, e após sentir a rejeição, após ver os créditos dos seus trabalhos originais serem atribuídos a homens artistas, após sentir as dificuldades no mundo a arte, mais ainda sendo mulher e sendo estrangeira, e não aceite no seu próprio país, atirou-se de uma janela - foi a primeira tentativa de suicídio, falhada, felizmente! A segunda tentativa foi no Japão, antes de encontrar o seu porto seguro e um ambiente propício à sua criação: uma clínica psiquiátrica interessada em terapia da arte.

 

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Instalação na Bienal de Veneza, 1992, a primeira artista a solo a representar o Japão - Fonte

 

 

As sua primeira instalação, o seu primeiro Infinity Mirrored Room surgiu em 1965, quando se falava na viagem do homem à lua. A sua expressão através da repetição de bolinhas tem uma leitura muito rica e complexa. Para além da expressão das suas alucinações, as bolinhas representam o que somos: uma bolinha num espaço infinito. De certeza influenciada pelo contexto social e político no qual viveu e pela luta - ao seu próprio modo - sobre as desigualdades e minorias, Kusama procura colocar-nos - aos visitantes das suas instalações - no seu próprio mundo, sob o seu próprio ponto de vista.

 

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 Fonte

 

O visitante dos Infinity Mirrored Room, um espaço revestido por espelhos com repetição de pontos, sejam eles "abóboras" insufladas revestidas de pintas, sejam pontos de luz através de pequenos Leds, entra no seu mundo, revê-se, a ele próprio, numa infinidade de ângulos e distâncias e sente-se, ele próprio, não diferente mas antes pelo contrário: parte integrante de um universo infinito e misterioso. Um pequeno ponto. Que mensagem forte e atual!

 

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 Infinity Mirrored Room — Filled with the Brilliance of Life, Tate Modern - Fonte

 

E assim, de uma vida com todas as dificuldades e contrariedades, preconceitos, discriminação, esquizofrenia, depressão...surge a beleza, surge a arte, surge a mensagem expressa de uma forma tão bonita e inspiradora! Um bom exemplo, para quando por vezes nos sentimos desanimados por tão pouco.

 

:)

 

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