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DESIGN E OUTROS DESVARIOS

THERE ARE 360º, SO WHY STICK TO ONE? - ZAHA HADID

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08
Out18

Uma reabilitação em Kiev

Apartamento_Kiev_02.jpg

 

Reabilitação é a palavra de ordem nos dias de hoje. Multiplicam-se pelas cidades, especialmente pelos grandes centros urbanos, obras de restauro e recuperação de edifícios que já há muito tempo pediam uma intervenção. Dentro das vantagens inegáveis - e essenciais - que se encontram na reestruturação do parque habitacional, que melhoram, e muitas vezes devolvem, qualidade de vida às cidades - beneficiando a todos - alerta-se também pelos perigos do entusiasmo excessivo. As pressões do mercado são grandes e, como já diziam os nossos avós "a pressa é inimiga da perfeição". Bem sei eu, não só como arquiteta mas também como proprietária de um edifício a ponto de ser reabilitado, que esperar desespera! Queremos ter os edifícios prontos, ora para habitar, ora para servirem como fonte de rendimento. Na construção (intervenção) de um edifício há-que separar dois conceitos: preço e custo. O preço é o dinheiro que gastamos no momento da obra. O custo é a soma de todo o valor que esse edifício consome ao largo da sua vida útil. Planear bem uma intervenção e estudar a estimativa de custos até pode resultar num preço mais elevado, mas o custo será certamente menor: evitam-se contratempos, problemas técnicos posteriores, intervenções posteriores, re-fazer o que já estava feito, diminuem-se os consumos energéticos, etc. Para além das consequências práticas mencionadas, um bom planeamento de uma reabilitação, respeitando a sua história e natureza, aumenta também o seu valor patrimonial e histórico. (A sério, não façam obras "chapa 5" só para ser mais rápido.) 

 

 

Apartamento_Kiev_01.jpg

 

E a propósito do tema da reabilitação, trago hoje para o blog uma intervenção em Kiev, pelo estúdio de arquitetura 2b.group. Os arquitetos optaram por uma estratégia de intervenção na qual se mantém à vista a composição das paredes em tijolo, bem como alguns elementos representativos no seu interior, sobrepondo sobre estes os elementos de intervenção contemporânea. Esta estratégia exigiu uma atenção redobrada à recuperação da pré-existência (seguramente o revestimento integral das paredes seria mais simples), uma vez que a parede foi sujeita a um tratamento do seu material, e alguns dos tijolos já danificados foram substituídos por outros, da mesma idade. 

 

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Os novos elementos são de linhas simples e tons neutros, de modo a que um equilíbrio cromático fosse criado, sem competir com a história do edifício. 

 

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Já mencionei em posts anteriores que um edifício é um documento construído. As suas marcas e características contam a história da sua época. Que materiais foram usados, que técnicas construtivas. Que alterações foram feitas nele ao longo do tempo, que estão refletidas nas suas marcas. São como as nossas cicatrizes e rugas (que eu ainda não tenho)! Daí a minha aversão com as tentativas de imitar algo que não se é.

 

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E este é um dos exemplos de estratégias de intervenção contemporânea em edifícios antigos. Uma boa reabilitação é um desafio maior e geralmente mais caro - devido aos constrangimentos de pré-existência - que um edifício de raiz. Mas, muitas vezes, é mais interessante também!  

 

Apartamento_Kiev_16.jpg

 

:)

 

 

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