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DESIGN E OUTROS DESVARIOS

THERE ARE 360º, SO WHY STICK TO ONE? - ZAHA HADID

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THERE ARE 360º, SO WHY STICK TO ONE? - ZAHA HADID

16
Jul18

FALL OR FLY?

Quem já segue este blog há algum tempo, concerteza reparou que as publicações nestes últimos tempos tem sido escassas e mais espaçadas no tempo. Ultimamente vejo-me a suspirar por ter um botão do tempo que pudesse congelar tudo, para que eu pudesse concretizar todas as minhas tarefas tranquilamente, antes de voltar a pulsar o play, para que o resto do mundo voltasse a fluir com normalidade. Houveram mudanças que me roubaram o tempo: mais concretamente, a mudança de casa, para um pequeníssimo mas acolhedor apartamento no centro da cidade. Uma mudança que me está a inspirar para, de um modo mais efusivo, dar prioridade a "pouco, mas bom". Até porque muito não caberia dentro da suite, como chamo eu, carinhosamente, ao meu novo lar.

 

 

A par desta novidade, que por si só já tomaria consideráveis horas de vida, tive um aumento no volume de trabalho - o qual eu agradeço com todas as forças - mas que me deixa com pouco tempo para o blog. 

 

E neste momento as minhas forças estão concentradas neste projeto que se iniciou oficialmente há ano e meio - o meu próprio gabinete de arquitetura e design -, desde o quarto da casa dos meus pais...que depois ganhou um site e em seguida um computador. Só vários meses depois ganhou um gabinete próprio, esse já fora de casa - independente. Mas todo este percurso é feito de pequeninos passos e ainda poucos degraus foram vencidos. Apesar de trabalhar na minha terra natal, a verdade é que estive muitos anos longe - primeiro a estudar, depois a trabalhar - e ainda poucos sabem que estou por cá, o que é normal: este é um trabalho que toma o seu tempo a crescer, a ser reconhecido...num exercício de paciência difícil de superar neste mundo de resultados imediatos. Passou apenas ano e meio mas foi tão intenso! Alegrias de ver projetos aprovados, alívio com a sensação de ter tido sempre algo que fazer - apesar da consciência da dificuldade do início -, vontade de desistir quando via sucessivos orçamentos a ser rejeitados, sem saber se algum viria a ser aceite, vontade de desistir quando ingenuamente aceitava contratos verbais para depois ver o trabalho a não ser pago (ou, como costumo dizer: paguei o preço correspondente a um trabalho por uma lição que me pode vir a ser muito útil no futuro). 

 

Com esta experiência descobri o frio na barriga antes de apresentar uma proposta a um cliente, e esta sensação foi uma grande surpresa para mim. Eu tenho doze anos de experiência, já tive de apresentar vários trabalhos a vários clientes, muitos deles em idiomas que não eram o meu nativo: espanhol e inglês. (Uma vez, quando estava na Geórgia, fizeram-me preparar uns painéis para EU explicar o projeto ao Presidente da República que lá iria...no dia seguinte!!!). Creio que, ainda que eu fosse a arquiteta coordenadora de um projeto, e ainda que já naquela altura fosse perfeccionista e passasse horas a aperfeiçoar um trabalho para ter a certeza que estava na sua melhor versão possível, o facto de formar parte de uma equipa me dava uma sensação de saltar com rede. Agora salto sem rede, ainda que os saltos sejam menores. Ainda sabendo que só apresento uma proposta quando estou segura de que o desenho é bom, um projeto é algo que sai de nós, e que de certa forma revela um pouco daquilo que nós somos. E aquilo que saiu de nós vai ser julgado...e eu vou ser julgada. 

 

E ainda assim, e já tendo passado por tanto, sei que este meu gabinete ainda é instável e frágil e pequenino. E o viver com a instabilidade, o aprender a estar confortável na incerteza, é um exercício intenso! E esta vida de "empresária a título individual" não tem o glamour que o título sugere!!! Bom, pelo menos tem um título glamouroso...já é algo ;) E o famoso work-life balance? É tão bonito na teoria não é? Confesso-vos: não passa de teoria, pelo menos para mim, pelo menos por enquanto. Porque agora é tempo de dar tudo o que tenho. 

 

E no meio disto tudo, sinto-me tão viva!!! Vivo tudo tão intensamente! Porque estou a fazer aquilo que sempre quis! Porque se não o tivesse feito, estaria a perguntar-me "e se tivesse tentado? teria conseguido?"...que tortura! Porque estou constantemente a sair da minha zona de conforto e estou a sentir que estou confortável agora em situações nas quais há um ano atrás não estava: estou a crescer (mas não em altura que 1,78m já me chegam). Porque faço coisas diferentes a cada dia, porque estou a fazer aquilo que sempre quis. Dure o que durar, e espero que dure a vida toda: vale tanto a pena!

 

E apesar disto tudo que me preenche os dias, ainda quero manter o blog. Mas porque escrevi isto agora? Porque enquanto estava a repensar que caminho poderia dar a este espaço virtual, com posts mais curtos e rápidos, de modo a conseguir incorporar este projeto no meu ritmo atual de vida, percebi que o objetivo deste blog é o de trazer inspiração a quem me lê. E pode ser que este testemunho inspire alguém a lançar-se no vazio, como eu fiz. Eu não sei se vai correr bem, se vou ser bem sucedida ou não. Eu sei que nem tudo é fácil, nem tudo é glamouroso, temos de abdicar de muito conforto, mas também sei que já aprendi muito com esta experiência, sei que não quero pensar no "e se tivesse arriscado?", e sei que nos sentimos vivos. Por isso: arrisquem! E depois contem-me como corre ;) E se alguém já o fez, adorava conhecer a vossa história! 

 

 

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:)

 

 

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