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Design e outros Desvarios

Pink

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Nunca fui menina de cor de rosa. Quando nasci, a minha mãe – que muito preocupada perguntava se “o menino não chorava”, apenas porque eu vim ao mundo, espirrei para desbloquear as vias respiratórias e lá fiquei muito satisfeita e tranquila – vestia-me sempre de azul. Recusou-se, durante toda a gravidez, admitir que teria uma menina e comprou a roupinha toda em azul. Não a condeno, sempre tive a ideia de que, quando e se fosse mãe, preferia ter um menino, talvez por me parecerem mais descomplicados.

 

 

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A minha infância pareceu provar que a minha mãe estava certa: preferia os carrinhos dos meus primos, chateava-me com o Pai Natal por me dar uma boneca, andava de cabelinho curto. Ainda hoje, adoro ver futebol e para praticar, o meu desporto favorito é Tiro aos Pratos. Muito feminino, não? Pois...eu sei que não!

 

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Quem não me conhece já me está a imaginar na pele de uma maria-rapaz incurável, mas a realidade não é bem assim. Aliás, não é nada assim. Adoro vestidos, carteiras e acessórios em geral, maquilhagem...dificilmente me encontram sem verniz nas unhas, batom e óculos de sol gigantes.

 

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Eu sei que com este meu auto retrato, de brinquedos com carrinhos, futebol e armas, suscitei um imaginário estereotipado do conceito de “maria-rapaz”. E também uma concordância óbvia do porquê o cor de rosa não ser a minha cor de eleição.

Foi precisamente por isso que comecei assim este texto e partilhei estes episódios da minha vida: porque o cor-de-rosa é uma cor estereotipada! Azul para os meninos, rosa para as meninas.

 

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Eu recordo-me de um exercício do meu curso de Design Gráfico: era-nos dada uma palavra-chave e tínhamos de a comunicar com o recurso de formas geométricas elementares e cores, apenas. A minha palavra era “Desafio”, mas uma colega tinha a palavra “Feminino”. Ela representou a palavra com um conjunto de quadrados rosa pastel. E foi das poucas que viu a sua palavra ser adivinhada pela turma.   

 

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Toda a forma de expressão transmite uma mensagem a quem a observa, num ato de comunicação. Pode ser expressão oral, escrita...mas não só. As cores tem os seus significados, e transmitem mensagens. Há, aliás, muitos estudos sobre a cor, e o poder da mesma. E em termos de comunicação, o rosa é uma cor forte.

E cada vez mais, o rosa assume protagonismo: ou terá sido por acaso que a instalação Le Refuge do designer Marc Ange tenha sido a que mais publicações teve no Instagram, durante a Milan Design Week de este ano? 

 

Eu creio que, inicialmente, eu não era uma menina de rosa porque me queria afastar, de forma mais ou menos inconsciente, do conceito de “menininha frágil” que era representado por essa cor. Hoje em dia admiro essa cor precisamente pela feminilidade e delicadeza. E não é por qualquer ato reivindicativo de feminismo: apenas, à medida que me torno mais transparente, mais eu mesma, mais despojada do parecer e mais comprometida com o ser, percebo que é mais forte quem assume as suas fragilidades. E percebo que é mais forte quem não precisa de o dizer que o é.

 

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Confesso que me senti bem num ambiente assim rosa pastel, no Vitra Design Museum...e quero um telefone cor-de rosa!!! 

 

...ou simplesmente gosto da cor porque é bonita mas não a uso muito porque considero que há outras cores com as quais me identifico mais.

 

Quem sabe?

 

:)

 

 

 

Imagens | Primeira imagem | Última imagem: eu fotografada por Bruno Arantes

 

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