Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Design e outros Desvarios

And the Pritzker goes to...

Alejandro Aravena!

 

O Prémio Pritzker é considerado o equivalente ao Prémio Nobel para a Arquitetura. Todos os anos é nomeado um arquiteto (ou arquitetos) vivo, que demonstre uma combinação de talento, visão e compromisso, que tenha contribuído para a humanidade e para o ambiente construído de forma consistente e significativa, através da arte da arquitetura. O prémio é concedido "independentemente da nacionalidade, raça, credo ou ideologia" do arquiteto.

 

É, portanto, uma honra! E é por isso que neste dia estamos todos empolgados para conhecer o nome do premiado (estamos, os arquitetos e poucos mais, creio). Em portugal, temos dois "Pritzkers": Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura. Para um país tão pequeno, é todo um feito!

 

E este ano, o prémio foi atribuído a um arquiteto que, confesso, conhecia mal. Conheço algumas obras dele, mas não o trabalho. E foi para mim uma surpresa pela positiva!

 

Alejandro Aravena

 

Há uns anos atrás, via-se a glorificação dos chamados Star Architects, entre eles a Zaha Hadid de quem já falei aqui. São geniais, sem dúvida. Produzem respostas a desafios concretos e intervém no entorno social, se considerarmos que toda a matéria, construída e natural, define a nossa envolvente, o nosso ambiente. 

 

Alejandro Aravena, no entanto, não é um desses. Talvez por isso não seja tão conhecido como os anteriores. Alejandro Aravena debruça-se sobre os problemas da sociedade, em especial da Chilena, de onde é nativo. Não recorre a sofisticados programas de parametrização e cálculo. Pelo contrário, inspira-se no simples. É um arquiteto que tem um pensamento global e que encontra na arquitetura um meio de colaboração para dar resposta às necessidades imediatas de um mundo em crise. E os seus edifícios são sustentáveis.

 

AlejandroAravena.jpg

Este projeto está desenhado de modo a produzir menos CO2, permitir a proteção solar mais eficaz e de criar maior interação entre os seus utilizadores.

 

Eu creio que daí vem o prémio. Porque precisamos de uma chamada de atenção. Porque muitas vezes parece que o contributo para uma sociedade mais justa não passa pelo arquiteto, mas passa, se assim o quisermos.

 

AlejandroAravena.jpgEstas casas comunitárias deixam, de raiz, espaço para que os seus moradores, à medida das suas possibilidades,

as expandam no futuro.

 

E é preciso também mudar mentalidades, que veem o arquiteto como uma fonte de despesas, em vez de um garante de um projeto de qualidade que permite poupar na construção a curto e médio prazo - ainda esta semana me disseram que queriam refazer uma casa em ruínas e que por isso mesmo já tinham "falado com uns trolhas, porque trabalham muito bem e são baratos" - e assim me arrumaram para canto (estão a falar de uma casa que é imóvel protegido e sem um arquiteto não conseguem licença, mas isso é outra história!).

 

AlejandroAravena.jpg

Este projeto foi concebido como resposta à necessidade de proteção contra tsunamis e inundações: é uma barreira natural entre a população e a àgua, de modo a minimizar as consequências da fúria da natureza.

 

De qualquer forma, arquitetos ou não, é interessante assistir a este vídeo, uma conferência TED do arquiteto. Eu pessoalmente, creio que foi um prémio acertado e bem fundamentado! (ainda por cima, ele tem pinta! ahah)

Não foi português, mas quem sabe para o ano que vem?

 

 

Imagens aqui, aqui, aqui e aqui. Vídeo aqui.

MENSAGENS

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.